29.9.14

Capítulo VI.



Fui a casa de Chloe e a mãe dela abriu a porta.
- Oi, Megan.
- Sou a Becky. Cade a Chloe? – A mãe da Chloe era dessas mães de amigas que você já odeia no primeiro dia. Ela nunca sabe quem é quem dos nossos amigos, e está sempre exalando um péssimo humor.
- Está doente, não foi nem a aula.
- Posso ir falar com ela?
- Não.
- Tudo bem, tchau.
Não desistiria do meu plano. Queria estar amiga da Meggy de novo. Droga. Segui meu caminho até a Fashion’s, não precisei caminhar muito, pois moro perto do centro da cidade. Essa loja é uma das mais caras, Megan costumava comprar lá. Droga. Por que eu estou sempre pensando nessa menina?
Cheguei à loja, respirei fundo e entrei. Fiquei um bom tempo olhando umas blusinhas sem ninguém me atender, acho que eu não seguia os padrões do pessoal que frequentava o local. Procurei uma moça que ela abriu um sorriso e disse:
- Oi, querida, o que era pra você?
- Queria uma blusinha pra ir a uma festa hoje à noite, acho que preta. – Inventei qualquer coisa, e passei o tempo todo procurando James. A moça me mostrou vários modelos, quando achei o mais barato resolvi compra-lo.
- Você vai até o caixa lá no fundo da loja, um moço estará atendendo, não se esqueça de dar meu nome a ele, você sabe né, comissões... – Na verdade, eu não me importava com as comissões da vendedora, nem lembrava mais o nome dela. O que me chamou a atenção foi saber que era um menino que atendia no caixa.
Fui caminhando e enquanto andava tive uma sensação ruim, mas segui meu caminho. Cheguei ao caixa e lá estava ele, James.
- Becky, certo? – Aquele garoto sabia como ter um sorriso perfeito.
- James, certo? Que coincidência! – Devo ter aprendido a ser falsa assim com a Meggy. Espantei meus pensamentos e prestei atenção no rosto dele. Era o menino do sonho, definitivamente.
- O que veio comprar?
- Uma blusinha, eu tenho uma festa hoje à noite.
- Ah, sério? Onde? Estou louco pra ir a alguma festa. – Droga, droga, droga!
- Na verdade é uma festa da empresa em que meu pai trabalha, mas assim que tiver algo em que eu não queira morrer por ir, te convido.
James riu e arrumou minha blusa, paguei e quando estava virando para ir embora ouvi algo que estremeceu meu corpo dos pés à cabeça:
- Becky, espera! – Virei e James estava com uma mão coçando a cabeça, pude ver um músculo bem definido em seu braço e quase me joguei em cima do balcão e agarrei-o, novamente espantei meus pensamentos. – Eu sei que não pedi nenhum contato seu da ultima vez que nos vimos, mas eu realmente gostei de você, sabe. E eu não pedi porque passei por um relacionamento conturbado... Me dá seu número? – E me entregou um papel e uma caneta. Anotei meu número e meu nome, ele fez o mesmo, eu disse tchau e sai com uma blusa nova e um novo contato na agenda.
Quando estava saindo senti minha vista escurecer, e a mesma sensação de que eu estava caminhando sem sair do lugar voltou. E eu tentei correr, gritar, pular, nada ocorreu. Até que eu apaguei.
...


Acordei com a porta do meu quarto batendo, vestida com minha blusa nova e uma saia jeans, deitada em minha cama. Olhei-me no espelho e estava com o cabelo arrumado, e no chão tinha um sapato de salto que eu não usava há anos. Ouvi a porta bater novamente.
- Filha, nós vamos nos atrasar, você nem fez maquiagem ainda? Querida, você não toma jeito hein, amorzinho.
- Aonde a gente vai? – Minha mãe riu e eu entrei em pânico. De repente nada fazia sentido de novo. Calcei o sapato que estava no chão e fui pra sala tentar descobrir aonde nós íamos.
Cheguei à sala e meu pai estava de terno. Meu pai nunca havia usado terno na vida dele. Ele era publicitário, andava sempre de all star, camisa xadrez, da forma mais bagunçada possível. Herdei isso dele, aliás.
- Pai, pronto pra ir? – Foi o máximo que eu pensei.
- Sim, esse ano a promoção é minha!
- Que promoção?
- Você não presta atenção em nada, Rebecca? – Meu pai nunca me chamou de Rebecca na sua vida, seria mais fácil se na minha certidão estivesse Becky. – A promoção, todo ano alguém é promovido no evento da empresa, todo o ano você não quer ir, mas nós vamos. Esse ano sou forte concorrente. – Quando meu pai ia continuar, a campainha toca. – Deve ser o Brian.
Que infernos é Brian? De repente minha mãe grita lá de cima:
- Becky, abre a porta querida, deve ser o Brian.
Abri a porta para tentar entender aquela loucura.
- Olá. – Eu disse no tom menos amistoso possível.
- Oi, princesa. Você está linda! – Me deu um selinho e foi entrando, abraçou meu pai e disse:
- Esse ano o prêmio é seu, sogrão!