Eu
pedi batatas fritas e James pediu pizza. De vez em quando ele roubava umas
batatas do meu prato e ria. Aquilo me deixava tão encantada. Nada como aquele
encontro sequer tinha acontecido em minha vida. James era fofo o tempo inteiro,
me chamava de princesa, linda, gatinha. Conversamos sobre tudo um pouco e eu
pude conhecê-lo um pouco melhor.
James
tinha esse sorriso lindo, uns olhos esbugalhados verdes e um cabelo meio louro,
me deixava toda boba quando fazia alguma piada ou elogio e eu estava surtando
por pensar no quanto estava amando aquilo.
Depois
de muita conversa jogada fora, decidimos comer sorvete, James pediu a conta e
mesmo que eu tenha insistido muito em pagar minha parte, ele pagou tudo. Saímos
e fomos andando pela rua principal da cidade. Achamos uma sorveteria e
entramos, peguei de chocolate e ele morango.
-
Opostos se atraem, sabia? – James riu. E eu fiquei sem graça e só ri também.
Saímos
da sorveteria e fomos comendo pela rua mesmo. James pegou um pouco
de sorvete com o dedo e passou no meu nariz. Eu fiz o mesmo e saímos rindo pela rua, até
que ele me roubou um beijo. Não foi daqueles beijos de novela nem nada, foi um
beijo tímido, romântico. Retribui e quando acabou ambos ficamos sem
graça.
-
Vamos lá pegar o carro?
-
Vamos.
...
Seguimos
por umas quadras e entramos em uma rua muito escura que eu nunca tinha ido.
Apesar de estar com medo sabia que James me protegeria, mas ele parecia tenso
também.
-
Lá é a casa da minha tia, só andar mais um pouco gata. – James apontou para um
lugar, mas não consegui ver quase nada.
-
Tudo bem, eu não me importo em caminhar. – Havia uma tensão entre nós que eu
não estava entendendo muito bem. – Qual o nome dela?
-
De quem?
-
Da sua tia.
-
Ah, sim! – Ele estava nervoso, definitivamente nervoso. – Cristine.
Só
balancei a cabeça e quando percebi James me empurrou contra um muro do qual
estávamos passando, bati minhas costas e senti uma dor aguda cabeça, ele
segurou minhas mãos contra a parede e colou o corpo dele no meu. Não consegui
colocar meus pensamentos no lugar e não entendi se ele estava tentando ficar
comigo ou tentando bater em mim. Ele começou a olhar dentro dos meus olhos com
uma expressão horrível, brava. Comecei a ficar com medo e falei:
-
James, me deixa sair, por favor.
Ele
não mencionou nenhuma palavra e deu um sorriso cínico. Comecei a me assustar e
ele pressionava cada vez mais o corpo no meu.
-
Vou gritar se você não me soltar, estou avisando.
De
novo não obtive resposta, e apesar de gritar ser a coisa mais sensata a fazer,
uma parte de mim queria ver no que aquilo iria dar. James continuava olhando
dentro dos meus olhos e fechou o sorriso que estava nos lábios. Como ele não
estava fazendo nada, eu resolvi falar:
-
Por que está fazendo isso? O que você quer? Sonhei com você um dia desses. Com
o acidente dos seus pais. Foi bem real. Por isso fui te procurar, mas se está
incomodado me desculpa.
A
expressão dele mudou, mas não soube identificar o que ele estava pensando.
-
Só peço que me solte, me deixe ir para casa.
-
O que você sonhou? – Finalmente ele disse algo.
-
Eu não sei.
-
FALA! – Ele gritou com uma voz furiosa e comecei a tremer.
-
Eu acordei em uma grama, fui ver e era um acidente... Eu não lembro... Um casal
havia morrido e eles tinham um filho, e então você foi correndo até o carro...
-
Droga! – Foi o que James disse e eu comecei a ficar sonolenta.
Perdi
meus sentidos e acabei apagando. De novo.