9.10.14

Capítulo X.



- Oi, mãe. – Respondi devagar para ganhar tempo. – Estava com meus amigos, como eu havia dito.
- Não, Joseph passou aqui procurando por você, e também disse que você não está falando com a Meggy. Filha, querida, você sabe que pode sair, desde que me conte sempre a verdade.
- São outros amigos, novos amigos... – Minha resposta era tão estúpida quando a minha expressão. E o Joseph poderia ser menos fofoqueiro.
- Bom, fiquei preocupada apenas, eu e seu pai, se você estiver namorando pode nos contar, você sabe Becky.
- Eu sei mãe. – Abri um sorriso falso.
- Vou dormir agora. – Minha mãe veio a minha direção, me deu um beijo no rosto e seguiu para seu quarto.
Eu fui pro meu, tirei meus sapatos e deitei na cama, minha cabeça estava girando e eu tentava de todas as formas lembrar de tudo que havia ocorrido. Não conseguia.
Essa reação da minha mãe também me preocupou.
Minha mãe se chama Maria, aqui nós a chamamos de Mary. Ela tem 38 anos, mas aparenta ter muito menos. Tem uma pele morena de dar inveja, um cabelo preto e olhos grandes esbugalhados. Era doce, extremamente doce. Nunca vi minha mãe levantar a voz ou ser grossa com ninguém.
Mary, ou minha mãe, é medica pediatra, coisa que mais ama fazer na vida. Veio fazer intercâmbio aqui na Inglaterra e conheceu meu pai, ficou grávida. Casaram. E desde então moram aqui.
Meu pai se chama Martin, tem 42 anos, é publicitário. É alto, tem cabelo loiro, olhos claros e uma pele que é quase um papel. É calmo também, não tanto quanto minha mãe. Meu pai não se envolve muito em assuntos da casa, mas sempre é presente. Tem um estilo muito alternativo e bagunçado, que eu amo e acabo me espelhando.
Vivemos em uma casa muito bonita aqui, em um bairro de classe média alta. Não reclamo da minha vida, pois tenho tudo que preciso para sobreviver. Meus pais são liberais e nunca me importunam sobre quase nada.
Minha mãe quando me ganhou resolveu fazer cirurgia para não ter outros filhos, por isso não sei o que é ter irmãos. Gosto de ser filha única.
Não temos muito contato com outros parentes, tenho uma tia que mora em outra cidade, e o resto dos parentes estão no Brasil, portanto fica difícil manter contato, e pra falar a verdade nem minha mãe tem notícia deles há tempos.
Depois de uma reflexão sobre a minha vida, acabei pegando no sono e só acordei com o despertador. Era hora de ir para escola.