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Oi, mãe. – Respondi devagar para ganhar tempo. – Estava com meus amigos, como
eu havia dito.
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Não, Joseph passou aqui procurando por você, e também disse que você não está
falando com a Meggy. Filha, querida, você sabe que pode sair, desde que me
conte sempre a verdade.
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São outros amigos, novos amigos... – Minha resposta era tão estúpida quando a
minha expressão. E o Joseph poderia ser menos fofoqueiro.
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Bom, fiquei preocupada apenas, eu e seu pai, se você estiver namorando pode nos
contar, você sabe Becky.
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Eu sei mãe. – Abri um sorriso falso.
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Vou dormir agora. – Minha mãe veio a minha direção, me deu um beijo no rosto e
seguiu para seu quarto.
Eu
fui pro meu, tirei meus sapatos e deitei na cama, minha cabeça estava girando e
eu tentava de todas as formas lembrar de tudo que havia ocorrido. Não
conseguia.
Essa
reação da minha mãe também me preocupou.
Minha
mãe se chama Maria, aqui nós a chamamos de Mary. Ela tem 38 anos, mas aparenta
ter muito menos. Tem uma pele morena de dar inveja, um cabelo preto e olhos
grandes esbugalhados. Era doce, extremamente doce. Nunca vi minha mãe levantar
a voz ou ser grossa com ninguém.
Mary,
ou minha mãe, é medica pediatra, coisa que mais ama fazer na vida. Veio fazer
intercâmbio aqui na Inglaterra e conheceu meu pai, ficou grávida. Casaram. E
desde então moram aqui.
Meu
pai se chama Martin, tem 42 anos, é publicitário. É alto, tem cabelo loiro,
olhos claros e uma pele que é quase um papel. É calmo também, não tanto quanto
minha mãe. Meu pai não se envolve muito em assuntos da casa, mas sempre é
presente. Tem um estilo muito alternativo e bagunçado, que eu amo e acabo me espelhando.
Vivemos
em uma casa muito bonita aqui, em um bairro de classe média alta. Não reclamo
da minha vida, pois tenho tudo que preciso para sobreviver. Meus pais são
liberais e nunca me importunam sobre quase nada.
Minha
mãe quando me ganhou resolveu fazer cirurgia para não ter outros filhos, por
isso não sei o que é ter irmãos. Gosto de ser filha única.
Não
temos muito contato com outros parentes, tenho uma tia que mora em outra
cidade, e o resto dos parentes estão no Brasil, portanto fica difícil manter
contato, e pra falar a verdade nem minha mãe tem notícia deles há tempos.
Depois
de uma reflexão sobre a minha vida, acabei pegando no sono e só acordei com o
despertador. Era hora de ir para escola.