30.12.14

Capítulo XXVI

Quando ouvi o menino dizer que seu nome era Brian, comecei a lembrar de onde eu o conhecia. Do meu sonho. Isso não era possível, pois eu nunca havia visto ele em nenhum outro lugar senão no meu apagão.
- Nos conhecemos de algum lugar? – Perguntei.
- Não, acho que somos só amigos no Facebook. – Ele disse ainda sorrindo.
- Ah bom. – Dei um sorriso sem graça e olhei para os lados procurando Meggy.
- Sabe onde tem? – Brian disse e apontou para bebida em minha mão.
- Acho que na cozinha, provavelmente na geladeira. – Sorri tentando ser engraçada.
- Me mostra onde é? – Ele disse.
- Mostro. – Pronunciei essa palavra com o maior desprezo possível, eu não queria mostrar nada para esse menino, mas meus pais me ensinaram a ter educação.
Fomos andando e passamos por várias pessoas, nenhuma delas era Megan ou Joe, o que me deixou mais irritada. No caminho um menino derramou bebida no meu vestido novo, e eu já estava a ponto de me trancar no quarto de Meggy e só sair quando a festa estivesse acabada, mas finalmente chegamos à cozinha.
Peguei bebida para Brian. E para mim. Eu estava definitivamente precisando. Nós estávamos talvez no único cômodo vazio da casa. Brian se encostou à mesa e começou a falar alguma coisa que eu não prestei muito atenção, minha cabeça estava lá no meu sonho onde ele era meu namorado e toda aquela loucura.
- Becky, está me ouvindo? – Ele se aproximou e disse.
- Oi. – Bebi metade da vodka em meu copo e fiz cara feia depois. – Estou ouvindo.
- Não está achando essa festa chata? – Brian disse.
- Sim. – Balbuciei. E ele era o motivo.
- Não quer ir para outro lugar? – Eu entendi as intenções dele, mas quis bancar a difícil.
- Onde? – Bebi mais um gole.
- Não sei, algum quarto por aí. – Ele sorriu.
Minha cabeça já estava girando e eu não tinha a mínima capacidade de pensar, então disse:
- Não. Você acha que vai me conhecer hoje e eu vou sair transando com você?
Ele hesitou por um segundo e se aproximou ainda mais, deixando o hálito de álcool próximo a minha boca dizendo:
- Acho.

No instante seguinte eu só o senti se aproximando ainda mais e me beijando. Eu queria saber onde estava com a cabeça de deixar isso acontecer. Há alguns dias eu nunca sairia beijando qualquer cara, e agora estava tudo de ponta cabeça. Estou carente, eu sei. Estou precisando beijar, eu sei. Estou sendo uma galinha, eu sei. Eu não faço a menor ideia do que estou fazendo da minha vida, eu sei.