Acordei
em um pulo, ainda tonta, olhei para os lados e estava em um quarto. Masculino.
A TV estava ligada e eu estava deitada nas pernas de alguém. Sentei na cama
rapidamente e olhei para ele. James. Que abriu um sorriso e disse:
-
Acordou, Bela Adormecida?
-
Você me sequestrou? Me deixa ir pra casa. – Falei em tom desesperado enquanto
James me olhava com uma expressão de dúvida.
-
Sequestro? Do que está falando? Você dormiu durante o filme gatinha.
-
Filme? Que filme?
-
A Culpa é Das Estrelas, lembra? – Ele disse.
-
Lembro, claro. – Comecei a buscar explicações, mas havia um vazio em minha
memória, exceto a parte em que James começou a ser violento comigo naquele beco
escuro.
James
apenas ficou me olhando, esperando minha próxima frase, reação ou gritaria.
-
Preciso ir embora, me leva pra casa?
-
Está cedo ainda Becky.
-
Que horas são? – Fiz uma pergunta retórica e olhei para meu celular, já era
02h30min da manhã. – Meu Deus, está tarde.
-
Um pouco, você disse que não havia problema em chegar tarde. – Não me lembrava
dessa parte também.
-
Quando? – Indaguei.
-
Quando nós estávamos vindo para cá. Do que você lembra, Becky?
-
Por que a pergunta? – Tinha uma parte de mim que me alertava de que algo estava
muito errado.
-
Você disse que não se lembra de algumas coisas.
-
Eu não disse isso, James.
-
Disse. – O tom de sua voz mudou, tentando impor a sua ideia a mim.
-
Não, eu não disse.
-
Tudo bem, gatinha.
-
Não íamos dar uma volta? – Aquela frase não deveria ter saído, pois acabei
entregando que não me lembrava de algumas coisas – ou quase nada -.
-
Era minha ideia, mas preferimos entrar e olhar filme. – Quase acreditei na
palavra dele, mas aquele olhar me chamava atenção.
-
Pode me levar para casa agora, por favor?
-
Claro, a hora que quiser.
Saímos
da casa, que era simples, aparentemente dois quartos, uma sala e uma cozinha, a
sala tinha uns quadros antigos, uma televisão aparentemente sem uso, e uns sofás
velhos. No quarto de James havia outra televisão, uma cama de casal e um roupeiro
antigo. Tinha cheiro de perfume masculino e cigarros. Não consegui prestar
atenção em muita coisa, pois estava confusa e tonta. Fomos para casa no carro
de James sem trocar uma palavra.
Quando
chegamos, quebrei o gelo.
-
Tchau, James.
-
Tchau, gatinha. – Fui abrindo a porta e ele me puxou. – Não ganho um beijo
depois de tudo que rolou hoje?
Provavelmente
James percebeu o pânico que se instalou em meu rosto. “Tudo que rolou hoje”. Eu
não me lembrava de quase nada, e aquelas palavras arrepiaram até a ponta da
minha espinha. Do que exatamente ele estava falando? Eu havia acordado em seu
quarto, sim. Na sua cama de casal, sim. Estávamos de roupa, sim. E eu não
sentia nada. Não consegui perguntar nada
a James. Dei um selinho rápido nele e sai correndo do carro.
Abri
a porta da casa de uma forma que fosse mais leve possível, tentando evitar que
meus pais acordassem. Não havia muito problema em chegar tarde, porque eles
sempre sabiam onde eu estava. Mas desta vez não. Fui subindo as escadas
lentamente, e quando olhei para porta do meu quarto, tive um susto. Havia uma
sombra escorada. Fui me aproximando para ver quem era.
-
Com quem você estava, Rebecca? – Disse minha mãe com uma voz cansada.