1.10.14

Capítulo VIII



Eu pedi batatas fritas e James pediu pizza. De vez em quando ele roubava umas batatas do meu prato e ria. Aquilo me deixava tão encantada. Nada como aquele encontro sequer tinha acontecido em minha vida. James era fofo o tempo inteiro, me chamava de princesa, linda, gatinha. Conversamos sobre tudo um pouco e eu pude conhecê-lo um pouco melhor.
James tinha esse sorriso lindo, uns olhos esbugalhados verdes e um cabelo meio louro, me deixava toda boba quando fazia alguma piada ou elogio e eu estava surtando por pensar no quanto estava amando aquilo.
Depois de muita conversa jogada fora, decidimos comer sorvete, James pediu a conta e mesmo que eu tenha insistido muito em pagar minha parte, ele pagou tudo. Saímos e fomos andando pela rua principal da cidade. Achamos uma sorveteria e entramos, peguei de chocolate e ele morango.
- Opostos se atraem, sabia? – James riu. E eu fiquei sem graça e só ri também.
Saímos da sorveteria e fomos comendo pela rua mesmo. James pegou um pouco de sorvete com o dedo e passou no meu nariz. Eu fiz o mesmo e saímos rindo pela rua, até que ele me roubou um beijo. Não foi daqueles beijos de novela nem nada, foi um beijo tímido, romântico. Retribui e quando acabou ambos ficamos sem graça.
- Vamos lá pegar o carro?
- Vamos.
...

Seguimos por umas quadras e entramos em uma rua muito escura que eu nunca tinha ido. Apesar de estar com medo sabia que James me protegeria, mas ele parecia tenso também.
- Lá é a casa da minha tia, só andar mais um pouco gata. – James apontou para um lugar, mas não consegui ver quase nada.
- Tudo bem, eu não me importo em caminhar. – Havia uma tensão entre nós que eu não estava entendendo muito bem. – Qual o nome dela?
- De quem?
- Da sua tia.
- Ah, sim! – Ele estava nervoso, definitivamente nervoso. – Cristine.
Só balancei a cabeça e quando percebi James me empurrou contra um muro do qual estávamos passando, bati minhas costas e senti uma dor aguda cabeça, ele segurou minhas mãos contra a parede e colou o corpo dele no meu. Não consegui colocar meus pensamentos no lugar e não entendi se ele estava tentando ficar comigo ou tentando bater em mim. Ele começou a olhar dentro dos meus olhos com uma expressão horrível, brava. Comecei a ficar com medo e falei:
- James, me deixa sair, por favor.
Ele não mencionou nenhuma palavra e deu um sorriso cínico. Comecei a me assustar e ele pressionava cada vez mais o corpo no meu.
- Vou gritar se você não me soltar, estou avisando.
De novo não obtive resposta, e apesar de gritar ser a coisa mais sensata a fazer, uma parte de mim queria ver no que aquilo iria dar. James continuava olhando dentro dos meus olhos e fechou o sorriso que estava nos lábios. Como ele não estava fazendo nada, eu resolvi falar:
- Por que está fazendo isso? O que você quer? Sonhei com você um dia desses. Com o acidente dos seus pais. Foi bem real. Por isso fui te procurar, mas se está incomodado me desculpa.
A expressão dele mudou, mas não soube identificar o que ele estava pensando.
- Só peço que me solte, me deixe ir para casa.
- O que você sonhou? – Finalmente ele disse algo.
- Eu não sei.
- FALA! – Ele gritou com uma voz furiosa e comecei a tremer.
- Eu acordei em uma grama, fui ver e era um acidente... Eu não lembro... Um casal havia morrido e eles tinham um filho, e então você foi correndo até o carro...
- Droga! – Foi o que James disse e eu comecei a ficar sonolenta.
Perdi meus sentidos e acabei apagando. De novo.