Passei
o resto do dia atualizando o celular. Esperando...
Por
que James não havia me chamado para conversar ainda? O que afinal nós fizemos
noite passada? O que foi aquela loucura toda de apagar com ele querendo me
matar e acordar deitada em seu colo? Eu precisava de explicações urgentes. E
James não deu sinal de vida.
Eu
fiz uma promessa que não o chamaria para conversar. Esperaria ele.
Resolvi
ligar para Joseph se ele ainda estivesse vivo.
-
ACORDA! – Gritei.
-
Alô.
-
Por que você não foi a aula seu retardado? – Falei ainda em tom bravo.
-
Estou doente, gripe eu acho. Teve algo importante?
-
Se teve algo importante? Eu vou falar o que teve. Aquele professor idiota
mandou eu fazer dupla com o aluno novo, que não era tão ruim assim mas você
sabe o quanto eu odeio conhecer pessoas novas. Vocês estavam em uma festa não
estavam? Pode falar. Eu aguento. Fala Joseph, fala. – Despejei essas frases sem
nenhuma pausa para respirar.
-
Calma, calma. Por que não fez dupla com a Chloe? E a Meggy? Ainda estão
brigadas? Festa? Do que você está falando? – Joseph estava perdido e eu não
estava me importando nem um pouco.
-
Chloe e Megan não foram, querido amigo. Quanta coincidência, né? Você escolheu
um lado Joseph, o da Megan. – Desliguei o telefone e ainda respirava ofegante
após falar tanto.
Ele
ainda tentou retornar algumas vezes e eu não entendi.
Ouvi
um barulho de notificação e meu coração começou a pular. Não tinha coragem de
abrir. Fiquei alguns segundos ponderando e li:
“Oi,
Becky. Tudo bem?”
Era
Rick. Droga.
Respondi:
“Olá.
Tudo e com você?”
“Tudo
bem, quando vamos fazer o trabalho de biologia?”
Quase
respondi que ainda tínhamos uma semana, mas resolvi ser educada:
“Acho
que eu faço as 15 primeiras e você as 15 últimas, ok?”
“Não
vamos nos reunir?” Ele respondeu rapidamente.
“Acho
que não, estou cheia de coisas da escola” HAHAHA
“Tudo
bem... Estou indo ao Starbucks, quer ir junto?” Normalmente aceitaria um
convite para ir ao Starbucks, mas eu estava extremamente cansada de tudo e meu
último encontro foi um desastre.
“Bom,
adoraria, mas como eu disse estou muito ocupada, obrigada.”
“Ok.
Tchau.”
“Tchau.”
Resolvi
que iria assistir alguns filmes e terminei minha sexta daquela forma. Dormi e
acabei sonhando.
Eu
estava em uma dessas casas velhas de filme de terror com um garoto, ele ria
muito de mim, eu estava com muito medo. Tentava sair, mas nenhuma fechadura
abria, e quanto mais eu tentava, mais ele ria. Disse-me que eu deveria parar de
ser burra, que minha vida estava em risco. Eu pedia ajuda e ele dizia que não
podia ajudar, que ele precisava fazer tudo aquilo, pois amava muito seus pais.
Eu não sabia mais o que fazer, comecei a gritar por socorro, mas ele dizia que
era inútil. “Quando chegar a hora não adianta pedir ajuda Becky”. Eu ainda não
reconhecia quem era aquele menino. Comecei a chorar em um canto e pedir pelos
meus pais. Até que ele disse que não podia pedir pelos dele, que eu deveria ser
mais inteligente. Quando finalmente levantei a cabeça pude reconhecer o sorriso
naquele rosto. Era um sorriso familiar. Era ele. Richard.
Acordei
em um pulo.