19.10.14

Capítulo XII.



Passei o resto do dia atualizando o celular. Esperando...
Por que James não havia me chamado para conversar ainda? O que afinal nós fizemos noite passada? O que foi aquela loucura toda de apagar com ele querendo me matar e acordar deitada em seu colo? Eu precisava de explicações urgentes. E James não deu sinal de vida.
Eu fiz uma promessa que não o chamaria para conversar. Esperaria ele.
Resolvi ligar para Joseph se ele ainda estivesse vivo.
- ACORDA! – Gritei.
- Alô.
- Por que você não foi a aula seu retardado? – Falei ainda em tom bravo.
- Estou doente, gripe eu acho. Teve algo importante?
- Se teve algo importante? Eu vou falar o que teve. Aquele professor idiota mandou eu fazer dupla com o aluno novo, que não era tão ruim assim mas você sabe o quanto eu odeio conhecer pessoas novas. Vocês estavam em uma festa não estavam? Pode falar. Eu aguento. Fala Joseph, fala. – Despejei essas frases sem nenhuma pausa para respirar.
- Calma, calma. Por que não fez dupla com a Chloe? E a Meggy? Ainda estão brigadas? Festa? Do que você está falando? – Joseph estava perdido e eu não estava me importando nem um pouco.
- Chloe e Megan não foram, querido amigo. Quanta coincidência, né? Você escolheu um lado Joseph, o da Megan. – Desliguei o telefone e ainda respirava ofegante após falar tanto.
Ele ainda tentou retornar algumas vezes e eu não entendi.
Ouvi um barulho de notificação e meu coração começou a pular. Não tinha coragem de abrir. Fiquei alguns segundos ponderando e li:
“Oi, Becky. Tudo bem?”
Era Rick. Droga.
Respondi:
“Olá. Tudo e com você?”
“Tudo bem, quando vamos fazer o trabalho de biologia?”
Quase respondi que ainda tínhamos uma semana, mas resolvi ser educada:
“Acho que eu faço as 15 primeiras e você as 15 últimas, ok?”
“Não vamos nos reunir?” Ele respondeu rapidamente.
“Acho que não, estou cheia de coisas da escola” HAHAHA
“Tudo bem... Estou indo ao Starbucks, quer ir junto?” Normalmente aceitaria um convite para ir ao Starbucks, mas eu estava extremamente cansada de tudo e meu último encontro foi um desastre.
“Bom, adoraria, mas como eu disse estou muito ocupada, obrigada.”
“Ok. Tchau.”
“Tchau.”
Resolvi que iria assistir alguns filmes e terminei minha sexta daquela forma. Dormi e acabei sonhando.
Eu estava em uma dessas casas velhas de filme de terror com um garoto, ele ria muito de mim, eu estava com muito medo. Tentava sair, mas nenhuma fechadura abria, e quanto mais eu tentava, mais ele ria. Disse-me que eu deveria parar de ser burra, que minha vida estava em risco. Eu pedia ajuda e ele dizia que não podia ajudar, que ele precisava fazer tudo aquilo, pois amava muito seus pais. Eu não sabia mais o que fazer, comecei a gritar por socorro, mas ele dizia que era inútil. “Quando chegar a hora não adianta pedir ajuda Becky”. Eu ainda não reconhecia quem era aquele menino. Comecei a chorar em um canto e pedir pelos meus pais. Até que ele disse que não podia pedir pelos dele, que eu deveria ser mais inteligente. Quando finalmente levantei a cabeça pude reconhecer o sorriso naquele rosto. Era um sorriso familiar. Era ele. Richard.
Acordei em um pulo.