Sentei
na cama e tentei fazer com que a tontura passasse. Depois do pesadelo fiquei um
bom tempo tentando assimilar aquela voz. Aquele sorriso. Tudo parecia tão real,
como quando eu tive aquele apagão e sonhei com o acidente de carro, ou o namoro
com o tal de Brian.
Decidi
deixar isso para trás e tentei voltar a dormir, porém não consegui. Era tarde
da madrugada e eu não resisti a chamar James para conversar.
“Oi”
Eu disse tentando não parecer desesperada.
Passaram-se
meia hora e só então ele respondeu, nesse meio tempo peguei um saco de
salgadinho e refrigerante e estava vendo tv. Meu coração deu um pulo com o
barulho, e já arrependida de tê-lo chamado
olhei a mensagem.
“Oi
Becky”
Respirei
fundo e contei até dez para responder, o nervosismo consumia cada parte do meu
corpo e antes de responder derrubei meu celular no chão – sem muitos danos -.
“Tudo
bem?”
“Tudo
sim, e com você?” – Minha real vontade era dizer que eu não estava bem, pois
ele me ignorou totalmente depois do nosso encontro. Decidi que deveria ser
educada.
“Tudo
bem.” Fiquei esperando incontáveis dois minutos e ele continuou. “Posso ver
você?”
“Como
assim?”
“Quero
ver você hoje, preciso ver você.”
“Por
quê?” Minha vontade era dizer que sim e ir correndo para a casa dele, mas minha
mãe me ensinou a não ser fácil com os garotos. Na verdade não foi ela que me
ensinou, aprendi em algum livro de autoajuda.
“Eu
não sei explicar.”
“A
gente fez sexo naquela noite?” Não sei como eu tive coragem de mandar isso. Sei
que fiquei muito tempo tentando respirar e abrir a resposta dele. Onde eu
estava com a cabeça?
“Não.”
Estava
sem saber o que responder. Sentia-me perdida sem uma melhor amiga para quem eu
pudesse ligar ou conversar em uma hora dessas. James deveria pensar que sou
louca.
“Desculpe
a pergunta”
“Sem
problema. Podemos nos encontrar?”
“Tá
muito tarde James, meus pais não deixariam.” Que ideia estúpida.
“Eu
passo aí de carro, hoje é sexta!”
Comecei
a pensar na possibilidade de sair escondida, o que arrepiava todo meu corpo. Sentia
uma adrenalina só de imaginar. Por mais ridículo que parecesse eu queria e
queria muito.
“Me
espera na rua de trás daqui a 30 minutos, pode ser?” Depois de analisar minhas
opções resolvi que sairia.
“Fechado.”