20.10.14

Capítulo XIII.



Sentei na cama e tentei fazer com que a tontura passasse. Depois do pesadelo fiquei um bom tempo tentando assimilar aquela voz. Aquele sorriso. Tudo parecia tão real, como quando eu tive aquele apagão e sonhei com o acidente de carro, ou o namoro com o tal de Brian.
Decidi deixar isso para trás e tentei voltar a dormir, porém não consegui. Era tarde da madrugada e eu não resisti a chamar James para conversar.
“Oi” Eu disse tentando não parecer desesperada.
Passaram-se meia hora e só então ele respondeu, nesse meio tempo peguei um saco de salgadinho e refrigerante e estava vendo tv. Meu coração deu um pulo com o barulho, e  já arrependida de tê-lo chamado olhei a mensagem.
“Oi Becky”
Respirei fundo e contei até dez para responder, o nervosismo consumia cada parte do meu corpo e antes de responder derrubei meu celular no chão – sem muitos danos -.
“Tudo bem?”
“Tudo sim, e com você?” – Minha real vontade era dizer que eu não estava bem, pois ele me ignorou totalmente depois do nosso encontro. Decidi que deveria ser educada.
“Tudo bem.” Fiquei esperando incontáveis dois minutos e ele continuou. “Posso ver você?”
“Como assim?”
“Quero ver você hoje, preciso ver você.”
“Por quê?” Minha vontade era dizer que sim e ir correndo para a casa dele, mas minha mãe me ensinou a não ser fácil com os garotos. Na verdade não foi ela que me ensinou, aprendi em algum livro de autoajuda.
“Eu não sei explicar.”
“A gente fez sexo naquela noite?” Não sei como eu tive coragem de mandar isso. Sei que fiquei muito tempo tentando respirar e abrir a resposta dele. Onde eu estava com a cabeça?
“Não.”
Estava sem saber o que responder. Sentia-me perdida sem uma melhor amiga para quem eu pudesse ligar ou conversar em uma hora dessas. James deveria pensar que sou louca.
“Desculpe a pergunta”
“Sem problema. Podemos nos encontrar?”
“Tá muito tarde James, meus pais não deixariam.” Que ideia estúpida.
“Eu passo aí de carro, hoje é sexta!”
Comecei a pensar na possibilidade de sair escondida, o que arrepiava todo meu corpo. Sentia uma adrenalina só de imaginar. Por mais ridículo que parecesse eu queria e queria muito.
“Me espera na rua de trás daqui a 30 minutos, pode ser?” Depois de analisar minhas opções resolvi que sairia.
“Fechado.”