Coloquei
uma saia jeans, uma regatinha branca e uma sapatilha rosa, arrumei um pouco o
cabelo e passei perfume. Desci as escadas da forma mais cuidadosa possível,
abri a porta e sai. Fiquei um tempo do lado de fora pensando se eu realmente
deveria estar fazendo aquilo. Resolvi pensar que deveria.
Fui
até a rua de trás e vi o carro de James estacionado. Abri a porta e entrei no
banco do carona. Ele estava sentado e abriu um sorriso. Pelo que pude ver ele
estava com uma calça cor creme, uma camiseta vermelha, um boné preto virado
para trás - nunca o havia visto de boné e ele estava simplesmente lindo -,
cheirava muito bem e eu estava derretida.
-
Oi. – Disse e sorri.
-
Oi. – Ele sorriu de volta.
Ficamos
em um silêncio até que James me puxou para seu colo e me beijou. Ficamos nos
beijando até que ele me pressionou contra a direção e a buzina tocou. Começamos
a rir e eu resolvi sair de cima dele e voltar para o meu banco.
-
Desculpa, eu precisava fazer isso Becky. Desde ontem quero te ver de novo, te
beijar, sentir teu cheiro...
-
Por que não me chamou para conversar, então? – Não soube ser simpática, tive que ser
grossa e minha voz saiu mais rude do que eu queria.
-
Fiquei cheio de coisas no trabalho, não sabia se você iria querer falar comigo.
Nós não fizemos nada ontem, só assistimos filme mesmo.
-
Por que disse aquilo James? Você me deixou paranoica. – Cada vez minha voz
tinha uma entonação mais brava.
-
Porque queria testar se você realmente não se lembrava de nada.
-
Ah, sim, obrigada. – Disse e dei uma risada irônica. – Agora se acabaram os
testes, posso voltar pra casa? – Falei me virando para porta como se fosse
abri-la, o que de fato eu não queria fazer.
James
me puxou pelo braço e me colou em seu corpo em um abraço apertado. Sentia sua
respiração e seu coração batendo e aquilo me fazia ter vontade de nunca
solta-lo. Ele pronunciou a palavra “desculpa” baixinho no meu ouvido, e eu nem
sabia sobre o que ele estava se referindo.
Fui
soltando de seu corpo devagar e continuei sentada em meu banco encarando James.
Algo nele me intrigava, chamava atenção, parecia até familiar, mas eu não sabia
o que, nem o porquê.
-
Não posso demorar muito. – Falei em tom baixo.
-
Tudo bem. Vou te levar para conhecer um lugar, posso?
-
Pode.
Então
James saiu dirigindo por um lugar que eu não conhecia, falamos pouco durante o
caminho. Trocamos palavras sobre música, temos um gosto bem parecido.
Chegamos
ao tal lugar e James estacionou. Era uma espécie de morro, onde podíamos ver as
luzes de toda a cidade. Era uma vista incrível.
-
O que achou, gatinha?
-
É lindo!
-
Pena estar nublado, senão poderíamos ver as estrelas e a lua. Você conhece a
história do sol e da lua?
-
Não. – Dei uma leve risada.
-
Eu não lembro, minha mãe costumava me contar. – James riu. – Achei que você
saberia. Mas é algo sobre a lua e o sol se apaixonarem de primeira vista.
-
Provavelmente viveram felizes para sempre. – Comecei a rir e percebi que James
sorria e havia algo triste em seu olhar.
Não
tive tempo de continuar vendo seu sorriso pois James me puxou novamente para
seu colo, dessa vez de uma forma que eu não encostasse na buzina do carro. O
beijo dele era incrível, eu me sentia como nunca havia me sentido antes. Me
perdi no tempo e em todo aquele sentimento. James tinha um beijo que me envolvia e me fazia esquecer de qualquer coisa. Algumas vezes ele beijava meu pescoço eu sentia a sua barba mal feita passando pela minha pele. Eu já estava sem blusa quando percebi que já estávamos ali por um
bom tempo. Olhei para o céu e vi uma ponta de luz, estava amanhecendo. Parei o
beijo e disse:
-
James, eu preciso ir para casa.