23.11.14

Capítulo XIX.

- Eu preciso ir agora. - Disse a James, que me olhou sem entender o porquê minha instantânea pressa para ir embora.
- Por que vai agora? Pensei que passaríamos algum tempo juntos.
- Eu sei, mas meus pais estão preocupados comigo depois de tudo que aconteceu, então preciso ir pra casa logo.
- Entendo, mas quero ficar mais com você Becky, por que não vamos para minha casa? - James disse segurando minha mão.
- Eu não posso! - disse quase em um grito.
- Você parece assustada, e eu entendo por tudo o que você passou hoje, mas afastar quem gosta de você não vai adiantar gatinha.
- Eu só quero ir embora James, quero dormir, descansar...
Antes que eu pudesse terminar de falar, James puxou meu braço e me deixou com o rosto colado no dele.
- Eu preciso de você, Becky. - Ele falou em um tom que eu não consegui compreender, era quase um sussurro e havia algo triste em sua voz.
Tirei a mão dele do meu braço e fui abrindo a porta:
- Amanhã nos falamos, preciso ir.
James não respondeu e arrancou o carro assim que eu fechei a porta.
Escorei-me em um muro e fiquei pensando no dia infernal que eu tive, nada parecia fazer sentido e eu estava me sentindo perdida em meio a tudo aquilo.
Como estava escuro resolvi voltar pra casa, ainda limpando as lagrimas e tentando me acalmar. Quando fui dobrar a esquina um homem me puxou e colocou a mão tapando minha boca. Tentei gritar e me bater, mas foi em vão. Ele me levou para um beco perto da minha casa, me colocou contra a parede e disse:
- Becky, se quando eu tirar a mão da sua boca você não gritar, eu prometo não te machucar.
Ele foi tirando lentamente a mão da minha boca e eu soltei um grito de socorro, então ele colocou a mão na minha boca novamente e me deu um tapa no rosto. Senti a minha pele queimar e comecei a chorar.
- Eu só quero fazer perguntas menina, você pode facilitar? Não quero te bater de novo, você quer? Fique quieta, vou tirar a mão da sua boca novamente. Dessa vez eu não gritei, decidi que não seria a coisa mais inteligente a fazer já que não havia ninguém por perto, somente ratos e baratas.
- Você pode me responder algumas perguntas? – Ele disse.
Balancei a cabeça dizendo que sim.
- Tudo bem, tudo bem. De onde você conhece James?
Boa pergunta, na verdade, conheci James de uma forma tão inusitada que faltaram palavras para explicar isso a aquele homem estranho.
- O conheci aqui na cidade, em uma cafeteria. - Eu disse. - Você pode me falar seu nome? - Tentei agir de forma amigável.
- Não posso, eu que faço as perguntas aqui. Quem é Megan?
- Megan é minha melhor amiga. - comecei a ligar os fatos e percebi que aquele homem poderia ser o que estava no hospital logo cedo.
- O que você sabe sobre James?
- Que ele trabalha na Fashion's, tem 23 anos, mora com a tia, perdeu os pais no início do ano... - Mais uma vez fui preenchida por um pensamento ruim de que eu conhecia muito pouco de James.
- Mais alguma coisa? - O homem disse instigando.
- Não, o que acha que eu saberia? - A tentativa de colher informações era válida.
- Nada. – O homem olhou vagamente para baixo. - Nada. Você tem notado algo estranho na sua vida?
- Muitas coisas, mas eu não vou contar para você, já que você não está me contando nada.
- Tem certeza que está em posição de exigir algo? Você é muito ingênua, mocinha. Deveria aprender a não confiar tanto nos outros. – Ele olhou para os lados avaliando a situação. - Tudo bem, você deve descobrir as coisas sozinha, não vou tirar esse prazer de você. Meu único conselho é que seja mais esperta, pois pelo que entendi, está com sérios problemas. - O homem disse.
- Eu não lhe disse isso.
- Você não precisou dizer, Becky.
Após ele dizer isso, fui apagando lentamente, senti minhas pernas ficarem tontas e me sentia sufocada. Minha visão apagou de vez.

Acordei no meu quarto com o sol na minha cara, olhei para o relógio e faltava 1 minuto para o relógio despertar. Estava exausta e tinha um longo dia pela frente.