-
Eu preciso ir agora. - Disse a James, que me olhou sem entender o porquê minha
instantânea pressa para ir embora.
-
Por que vai agora? Pensei que passaríamos algum tempo juntos.
-
Eu sei, mas meus pais estão preocupados comigo depois de tudo que aconteceu,
então preciso ir pra casa logo.
-
Entendo, mas quero ficar mais com você Becky, por que não vamos para minha
casa? - James disse segurando minha mão.
-
Eu não posso! - disse quase em um grito.
-
Você parece assustada, e eu entendo por tudo o que você passou hoje, mas
afastar quem gosta de você não vai adiantar gatinha.
-
Eu só quero ir embora James, quero dormir, descansar...
Antes
que eu pudesse terminar de falar, James puxou meu braço e me deixou com o rosto
colado no dele.
-
Eu preciso de você, Becky. - Ele falou em um tom que eu não consegui
compreender, era quase um sussurro e havia algo triste em sua voz.
Tirei
a mão dele do meu braço e fui abrindo a porta:
-
Amanhã nos falamos, preciso ir.
James
não respondeu e arrancou o carro assim que eu fechei a porta.
Escorei-me
em um muro e fiquei pensando no dia infernal que eu tive, nada parecia fazer
sentido e eu estava me sentindo perdida em meio a tudo aquilo.
Como
estava escuro resolvi voltar pra casa, ainda limpando as lagrimas e tentando me
acalmar. Quando fui dobrar a esquina um homem me puxou e colocou a mão tapando minha
boca. Tentei gritar e me bater, mas foi em vão. Ele me levou para um beco perto
da minha casa, me colocou contra a parede e disse:
-
Becky, se quando eu tirar a mão da sua boca você não gritar, eu prometo não te
machucar.
Ele
foi tirando lentamente a mão da minha boca e eu soltei um grito de socorro,
então ele colocou a mão na minha boca novamente e me deu um tapa no rosto.
Senti a minha pele queimar e comecei a chorar.
-
Eu só quero fazer perguntas menina, você pode facilitar? Não quero te bater de
novo, você quer? Fique quieta, vou tirar a mão da sua boca novamente. Dessa vez
eu não gritei, decidi que não seria a coisa mais inteligente a fazer já que não
havia ninguém por perto, somente ratos e baratas.
-
Você pode me responder algumas perguntas? – Ele disse.
Balancei
a cabeça dizendo que sim.
-
Tudo bem, tudo bem. De onde você conhece James?
Boa
pergunta, na verdade, conheci James de uma forma tão inusitada que faltaram
palavras para explicar isso a aquele homem estranho.
-
O conheci aqui na cidade, em uma cafeteria. - Eu disse. - Você pode me falar
seu nome? - Tentei agir de forma amigável.
-
Não posso, eu que faço as perguntas aqui. Quem é Megan?
-
Megan é minha melhor amiga. - comecei a ligar os fatos e percebi que aquele
homem poderia ser o que estava no hospital logo cedo.
-
O que você sabe sobre James?
-
Que ele trabalha na Fashion's, tem 23 anos, mora com a tia, perdeu os pais no
início do ano... - Mais uma vez fui preenchida por um pensamento ruim de que eu
conhecia muito pouco de James.
-
Mais alguma coisa? - O homem disse instigando.
-
Não, o que acha que eu saberia? - A tentativa de colher informações era válida.
-
Nada. – O homem olhou vagamente para baixo. - Nada. Você tem notado algo
estranho na sua vida?
-
Muitas coisas, mas eu não vou contar para você, já que você não está me
contando nada.
-
Tem certeza que está em posição de exigir algo? Você é muito ingênua, mocinha.
Deveria aprender a não confiar tanto nos outros. – Ele olhou para os lados
avaliando a situação. - Tudo bem, você deve descobrir as coisas sozinha, não
vou tirar esse prazer de você. Meu único conselho é que seja mais esperta, pois
pelo que entendi, está com sérios problemas. - O homem disse.
-
Eu não lhe disse isso.
-
Você não precisou dizer, Becky.
Após
ele dizer isso, fui apagando lentamente, senti minhas pernas ficarem tontas e
me sentia sufocada. Minha visão apagou de vez.
Acordei
no meu quarto com o sol na minha cara, olhei para o relógio e faltava 1 minuto
para o relógio despertar. Estava exausta e tinha um longo dia pela frente.