Cheguei
à recepção do hospital e um homem alto, com aparência de 20 anos, de cabelos
cacheados e pretos, me atendeu. Em qualquer outro momento eu teria o achado
lindo, mas meu foco agora era outro. Parei na frente do balcão e ele disse com
um sorriso no rosto:
-
Em que posso lhe ajudar?
-
Vim ver a paciente Megan Trusman. – Minhas mãos suavam frio.
O
homem checou algo no computador e disse:
-
Qual o seu parentesco com ela?
Não
havia pensando nisso, o policial disse que eu não deveria visitar Megan, a
única alternativa que achei talvez não fosse a mais inteligente, mas útil.
-
Somos namoradas, mas ninguém sabe, se puder manter em sigilo. Megan se importa
muito com isso, acha que a mãe dela não vai aceitar, sabe como é. – Tentei soar
convincente e ao mesmo tempo preocupada.
-
Entendo, entendo. Qual seu nome?
-
Felícia Jones.
-
Tudo bem. – O atendente imprimiu um adesivo com meu nome e me disse o número do
quarto. – Tem apenas um acompanhante com ela, pelo que consta aqui.
Fui
até o quarto, e quando abri a porta vi alguém de capuz segurando uma injeção ao
lado da cama de Megan. Agi por impulso e disse:
-
Quem é você?
A
pessoa se assustou e virou para mim, era um homem, não pude reconhecer, mas me
soava familiar. Ele permaneceu em silêncio e eu disse novamente:
-
Quem é você?
Dessa
vez quase que num sussurro ele disse:
-
Não te interessa, Becky.
-
Como sabe meu nome? – Disse assustada.
-
Você veio ver sua amiga Megan, não veio? Faça isso.
Nesse
instante olhei para Meggy que estava desacordada, e esqueci-me da presença
daquele homem no quarto. Fui perto dela e pude ver alguns hematomas em seus
braços e arranhões no rosto. Peguei a mão dela e comecei a lembrar de quando
éramos amigas. Meus olhos já estavam cheios de lágrimas e não pude conter que
elas caíssem.
Meggy
me fez passar tanta vergonha nessa vida que eu poderia escrever um livro,
sempre me dizia que tudo era extremamente necessário para que eu tivesse
histórias para contar para meus netos e filhos. Posso me lembrar como se fosse
hoje dela dizendo “eu vou ser madrinha dos seus 9 filhos, Becky”.
Agora
eu via minha amiga e nossa amizade fragilizadas, e eu tive um medo terrível de
perder ambas as coisas.
Meus
pensamentos se desfizeram quando o homem atrás de mim tossiu. Olhei para ele,
que sorriu e disse:
-
Está na hora de dormir, princesa.
...
Acordei na rua
de trás da minha casa, peguei o celular no meu bolso e era 11:57 da noite,
perto da hora que combinei de me encontrar com James.
Comecei a
lembrar do momento em que estive no hospital e entrei em pânico. Tentei colocar
meus pensamentos no lugar mas não tive muito tempo já que ouvi o carro de James
chegando.
Entrei no
carro e o abracei tão forte que tive medo de machuca-lo. James foi me beijar e
eu recuei:
- Desculpe,
não consigo fazer isso agora. – Eu disse.
- Tudo bem.
Fiquei sabendo o que houve com a Megan, quer me contar sua versão? – Ele disse
com uma voz suave.
Expliquei tudo
o que havia ocorrido, exceto a parte que eu havia ido para o hospital, foi tudo
tão estranho que não quis parecer louca na frente de James.
Depois de
vários minutos explicando tudo, ele disse:
- Vai ficar
tudo bem, princesa.
Gelei meu
corpo e arrepiei cada pelo que existia nele. Aquela palavra. Eu já a ouvira
antes.
“Princesa.”