17.11.14

Capitulo XVIII.

Cheguei à recepção do hospital e um homem alto, com aparência de 20 anos, de cabelos cacheados e pretos, me atendeu. Em qualquer outro momento eu teria o achado lindo, mas meu foco agora era outro. Parei na frente do balcão e ele disse com um sorriso no rosto:
- Em que posso lhe ajudar?
- Vim ver a paciente Megan Trusman. – Minhas mãos suavam frio.
O homem checou algo no computador e disse:
- Qual o seu parentesco com ela?
Não havia pensando nisso, o policial disse que eu não deveria visitar Megan, a única alternativa que achei talvez não fosse a mais inteligente, mas útil.
- Somos namoradas, mas ninguém sabe, se puder manter em sigilo. Megan se importa muito com isso, acha que a mãe dela não vai aceitar, sabe como é. – Tentei soar convincente e ao mesmo tempo preocupada.
- Entendo, entendo. Qual seu nome?
- Felícia Jones.
- Tudo bem. – O atendente imprimiu um adesivo com meu nome e me disse o número do quarto. – Tem apenas um acompanhante com ela, pelo que consta aqui.
Fui até o quarto, e quando abri a porta vi alguém de capuz segurando uma injeção ao lado da cama de Megan. Agi por impulso e disse:
- Quem é você?
A pessoa se assustou e virou para mim, era um homem, não pude reconhecer, mas me soava familiar. Ele permaneceu em silêncio e eu disse novamente:
- Quem é você?
Dessa vez quase que num sussurro ele disse:
- Não te interessa, Becky.
- Como sabe meu nome? – Disse assustada.
- Você veio ver sua amiga Megan, não veio? Faça isso.
Nesse instante olhei para Meggy que estava desacordada, e esqueci-me da presença daquele homem no quarto. Fui perto dela e pude ver alguns hematomas em seus braços e arranhões no rosto. Peguei a mão dela e comecei a lembrar de quando éramos amigas. Meus olhos já estavam cheios de lágrimas e não pude conter que elas caíssem.
Meggy me fez passar tanta vergonha nessa vida que eu poderia escrever um livro, sempre me dizia que tudo era extremamente necessário para que eu tivesse histórias para contar para meus netos e filhos. Posso me lembrar como se fosse hoje dela dizendo “eu vou ser madrinha dos seus 9 filhos, Becky”.
Agora eu via minha amiga e nossa amizade fragilizadas, e eu tive um medo terrível de perder ambas as coisas.
Meus pensamentos se desfizeram quando o homem atrás de mim tossiu. Olhei para ele, que sorriu e disse:
- Está na hora de dormir, princesa.
...
Acordei na rua de trás da minha casa, peguei o celular no meu bolso e era 11:57 da noite, perto da hora que combinei de me encontrar com James.
Comecei a lembrar do momento em que estive no hospital e entrei em pânico. Tentei colocar meus pensamentos no lugar mas não tive muito tempo já que ouvi o carro de James chegando.
Entrei no carro e o abracei tão forte que tive medo de machuca-lo. James foi me beijar e eu recuei:
- Desculpe, não consigo fazer isso agora. – Eu disse.
- Tudo bem. Fiquei sabendo o que houve com a Megan, quer me contar sua versão? – Ele disse com uma voz suave.
Expliquei tudo o que havia ocorrido, exceto a parte que eu havia ido para o hospital, foi tudo tão estranho que não quis parecer louca na frente de James.
Depois de vários minutos explicando tudo, ele disse:
- Vai ficar tudo bem, princesa.
Gelei meu corpo e arrepiei cada pelo que existia nele. Aquela palavra. Eu já a ouvira antes.

“Princesa.”