Chegamos
em casa e meus pais estavam me tratando como se eu fosse uma doente mental. Eu
entendo a tentativa de fazer eu me sentir bem, mas estavam se tornando
irritantes. Chegamos quando já estava anoitecendo, eles haviam passado em um
supermercado e comprado algumas porcarias. Depois de comer me tranquei no
quarto e ainda sentia certa tontura.
Liguei
para Chloe e ela não me atendeu, fazia dias que não nos falávamos, mas a
situação pedia uma trégua nessa birra que estávamos fazendo. Resolvi ligar para
Joseph:
-
Joe, alo. – Eu disse.
-
Oi Becky. – A voz de Joseph era séria e não me passou nenhuma simpatia.
-
Ficou sabendo da Meggy?
-
Quem não ficou sabendo, não é? Por que me ligou? – A voz dele piorava a cada
palavra.
-
Achei que a situação pedia uma trégua dessa briga inútil. – Tentei uma
reconciliação, mas percebi que estava muito enganada.
-
Quem não garante que você não fez isso? Até ouvir o que a Meggy tem a dizer,
não sei de nada. Você sempre teve inveja dela, Becky. Sempre quis ser melhor
que ela quando na verdade isso é impossível. Você começou essa briga com todos
nós por motivo nenhum, eu era seu amigo até dias atrás quando você enlouqueceu.
Eu não sei o que está fazendo de sua vida, sua mãe me ligou, inclusive,
querendo informações sobre com quem você está andando, pelo que parece anda
saindo escondida de casa todos os dias. – Houve uma pausa e meu coração batia
acelerado. – Não sei com que tipo de gente você se meteu, e o que anda fazendo,
acho que precisa de ajuda, Becky. Espero que você não entre num caminho sem
voltas, e se você fez isso com a Meggy, você vai pagar. – Joseph desligou.
Comecei
a chorar tentando abafar o barulho no travesseiro. O meu amigo, meu melhor
amigo, me acusando de ter tentado matar a minha melhor amiga. Isso não podia
estar acontecendo. Nunca teria feito isso com Meggy, apesar de estarmos
brigadas nunca desejei nada de ruim a ela. Sentia como se o chão embaixo dos
meus pés estivesse se abrindo. Estava sem nenhum amigo, e pior do que isso eles
estavam me odiando.
Lembrei-me
de James e aquilo me acalmou, o abraço dele era a única coisa de que eu
precisava no momento. Liguei para ele, depois de algumas chamadas ele atendeu:
-
Oi gatinha. – Ele disse com uma voz amigável.
-
Oi. – Não pude conter o choro de ouvir uma voz que não me odiava.
-
O que houve? Por que está chorando? – James parecia preocupado.
-
A Megan, aconteceu algo ruim. Eu não posso explicar pelo telefone, preciso de
um abraço. – Estava soluçando e não sabia se James iria entender minhas
palavras.
-
Tudo bem, tudo bem. Vai ficar tudo bem, Becky. Quer me encontrar agora?
-
Eu não sei, acho melhor de madrugada, pode ser?
-
Pode sim, nos encontramos no mesmo lugar de ontem, meia noite? – James disse.
-
Tudo bem. – Nesse ponto eu havia parado de chorar. – Eu vou desligar, preciso
fazer uma coisa agora.
-
Ok, fique bem, beijos.
...
Desci
as escadas e meus pais – que estavam conversando – pararam de falar
imediatamente. Percebi que era sobre mim e apenas revirei os olhos.
-
Eu vou encontrar a Chloe e o Joseph.
-
Tem certeza que é bom sair agora? – Meu pai disse.
-
Tenho.
-
Se cuide querida, volte logo. Você está muito vulnerável hoje, pegue algum
dinheiro, amor. – Minha mãe disse tirando dinheiro da carteira e me entregando.
Liguei
para um taxi e ele demorou cerca de 10 minutos para chegar.
-
Eu quero ir para o hospital, por favor. – Disse ao motorista.