5.11.14

Capítulo XVII

Chegamos em casa e meus pais estavam me tratando como se eu fosse uma doente mental. Eu entendo a tentativa de fazer eu me sentir bem, mas estavam se tornando irritantes. Chegamos quando já estava anoitecendo, eles haviam passado em um supermercado e comprado algumas porcarias. Depois de comer me tranquei no quarto e ainda sentia certa tontura.
Liguei para Chloe e ela não me atendeu, fazia dias que não nos falávamos, mas a situação pedia uma trégua nessa birra que estávamos fazendo. Resolvi ligar para Joseph:
- Joe, alo. – Eu disse.
- Oi Becky. – A voz de Joseph era séria e não me passou nenhuma simpatia.
- Ficou sabendo da Meggy?
- Quem não ficou sabendo, não é? Por que me ligou? – A voz dele piorava a cada palavra.
- Achei que a situação pedia uma trégua dessa briga inútil. – Tentei uma reconciliação, mas percebi que estava muito enganada.
- Quem não garante que você não fez isso? Até ouvir o que a Meggy tem a dizer, não sei de nada. Você sempre teve inveja dela, Becky. Sempre quis ser melhor que ela quando na verdade isso é impossível. Você começou essa briga com todos nós por motivo nenhum, eu era seu amigo até dias atrás quando você enlouqueceu. Eu não sei o que está fazendo de sua vida, sua mãe me ligou, inclusive, querendo informações sobre com quem você está andando, pelo que parece anda saindo escondida de casa todos os dias. – Houve uma pausa e meu coração batia acelerado. – Não sei com que tipo de gente você se meteu, e o que anda fazendo, acho que precisa de ajuda, Becky. Espero que você não entre num caminho sem voltas, e se você fez isso com a Meggy, você vai pagar. – Joseph desligou.
Comecei a chorar tentando abafar o barulho no travesseiro. O meu amigo, meu melhor amigo, me acusando de ter tentado matar a minha melhor amiga. Isso não podia estar acontecendo. Nunca teria feito isso com Meggy, apesar de estarmos brigadas nunca desejei nada de ruim a ela. Sentia como se o chão embaixo dos meus pés estivesse se abrindo. Estava sem nenhum amigo, e pior do que isso eles estavam me odiando.
Lembrei-me de James e aquilo me acalmou, o abraço dele era a única coisa de que eu precisava no momento. Liguei para ele, depois de algumas chamadas ele atendeu:
- Oi gatinha. – Ele disse com uma voz amigável.
- Oi. – Não pude conter o choro de ouvir uma voz que não me odiava.
- O que houve? Por que está chorando? – James parecia preocupado.
- A Megan, aconteceu algo ruim. Eu não posso explicar pelo telefone, preciso de um abraço. – Estava soluçando e não sabia se James iria entender minhas palavras.
- Tudo bem, tudo bem. Vai ficar tudo bem, Becky. Quer me encontrar agora?
- Eu não sei, acho melhor de madrugada, pode ser?
- Pode sim, nos encontramos no mesmo lugar de ontem, meia noite? – James disse.
- Tudo bem. – Nesse ponto eu havia parado de chorar. – Eu vou desligar, preciso fazer uma coisa agora.
- Ok, fique bem, beijos.
 ...
Desci as escadas e meus pais – que estavam conversando – pararam de falar imediatamente. Percebi que era sobre mim e apenas revirei os olhos.
- Eu vou encontrar a Chloe e o Joseph.
- Tem certeza que é bom sair agora? – Meu pai disse.
- Tenho.
- Se cuide querida, volte logo. Você está muito vulnerável hoje, pegue algum dinheiro, amor. – Minha mãe disse tirando dinheiro da carteira e me entregando.

Liguei para um taxi e ele demorou cerca de 10 minutos para chegar.

- Eu quero ir para o hospital, por favor. – Disse ao motorista.