Tudo
aconteceu muito rápido e eu não soube explicar exatamente as coisas que
aconteceram. Minha cabeça girava e o policial não estava nem um pouco feliz com
a minha possível “falta de cooperação”.
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Vamos menina, não tenho o dia inteiro. Como você achou a... – O policial olhou
em uma folha. – Megan Trusman.
Eu
ainda tremia e o policial me olhava com uma feição nada agradável.
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Eu recebi um telefonema, de um número desconhecido... – Disse tentando colocar
as ideias no lugar.
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Você já nos disse isso, checamos o celular e não havia nenhuma ligação nas
últimas 24 horas. Pense melhor, Rebecca.
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Eu já pensei! – Gritei com uma voz que soava cansada. – Já pensei demais, eu
quero sair daqui. Vocês não podem me manter aqui por 3 horas seguidas, é
desumano.
-
Desumano é você mentir! – O policial colocou as duas mãos em cima da mesa se
inclinando para mim. – Comece a nos contar como você chegou ao apartamento
de... – Houve um tempo para pensar e eu gritei:
-
Megan! O nome dela é Megan! – Imaginei qual era o problema daquele homem em
decorar nomes.
-
Tudo bem, você não quer colaborar. O que viu quando chegou?
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Eu já disse. – Eu estava com fome, exausta, nervosa e extremamente irritada.
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Fale novamente. – A voz do policial também parecia cansada, mas quem estava
dificultando as coisas era ele.
-
Eu vi Meggy desacordada, havia muito sangue por todos os cantos. Satisfeito?
-
Não, quero detalhes Rebecca. Isso não é o seu blog, é vida real.
-
Para começar, não tenho um blog. Segundo, havia sangue pelo corredor da casa, e
ela estava virada de costas para a porta. Vi que ela estava desacordada, pois
gritei inúmeras vezes seu nome e ela não respondeu. – Minha voz começou a ficar
embargada, contive as lágrimas e continuei – Corri para perto dela e virei-a
para mim, chequei o pulso e senti que ela estava viva. – Hesitei um pouco.
-
Continue. – A voz do policial parecia mais calma agora.
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Peguei o celular e disquei para a polícia, foi quando vi a faca ao lado dela, e
a marca em sua barriga. Corri para pegar um pano e fiquei segurando contra o
ferimento. O resto você já deve saber.
- Certo, certo. Fale mais sobre a suposta
ligação. – A dúvida na voz dele me irritava.
-
Me ligaram dizendo que Megan corria perigo, a voz era masculina e estava
nitidamente transtornada.
-
Tem ideia de quem seja? – Ele disse.
-
Não. Quando vou poder ir embora? Quando vou poder ver Meggy?
-
Rebecca, você está sob investigação, seria bom que não se aproximasse da sua
amiga. Ela está se recuperando, como havia lhe falado. Quero que vá para casa
agora e evite sair da cidade. Obrigada.
-
Vocês acham que eu fiz isso? – Eu disse assustada.
-
Nenhuma hipótese deve ser descartada, ainda temos que pegar o depoimento da Megan,
mas isso somente quando ela acordar.
Sai
da sala de interrogatório exausta e encontrei meus pais na sala de recepção. Abracei
minha mãe e nós duas chorávamos muito.
-
Vai ficar tudo bem, querida. Vamos para casa! – Minha mãe disse com voz doce
limpando minhas lágrimas.
Fomos
para casa e eu ainda precisava de respostas. Ainda não acreditava no que havia
acontecido e faria de tudo para descobrir.