2.11.14

Capítulo XVI.



Tudo aconteceu muito rápido e eu não soube explicar exatamente as coisas que aconteceram. Minha cabeça girava e o policial não estava nem um pouco feliz com a minha possível “falta de cooperação”.
- Vamos menina, não tenho o dia inteiro. Como você achou a... – O policial olhou em uma folha. – Megan Trusman.
Eu ainda tremia e o policial me olhava com uma feição nada agradável.
- Eu recebi um telefonema, de um número desconhecido... – Disse tentando colocar as ideias no lugar.
- Você já nos disse isso, checamos o celular e não havia nenhuma ligação nas últimas 24 horas. Pense melhor, Rebecca.
- Eu já pensei! – Gritei com uma voz que soava cansada. – Já pensei demais, eu quero sair daqui. Vocês não podem me manter aqui por 3 horas seguidas, é desumano.
- Desumano é você mentir! – O policial colocou as duas mãos em cima da mesa se inclinando para mim. – Comece a nos contar como você chegou ao apartamento de... – Houve um tempo para pensar e eu gritei:
- Megan! O nome dela é Megan! – Imaginei qual era o problema daquele homem em decorar nomes.
- Tudo bem, você não quer colaborar. O que viu quando chegou?
- Eu já disse. – Eu estava com fome, exausta, nervosa e extremamente irritada.
- Fale novamente. – A voz do policial também parecia cansada, mas quem estava dificultando as coisas era ele.
- Eu vi Meggy desacordada, havia muito sangue por todos os cantos. Satisfeito?
- Não, quero detalhes Rebecca. Isso não é o seu blog, é vida real.
- Para começar, não tenho um blog. Segundo, havia sangue pelo corredor da casa, e ela estava virada de costas para a porta. Vi que ela estava desacordada, pois gritei inúmeras vezes seu nome e ela não respondeu. – Minha voz começou a ficar embargada, contive as lágrimas e continuei – Corri para perto dela e virei-a para mim, chequei o pulso e senti que ela estava viva. – Hesitei um pouco.
- Continue. – A voz do policial parecia mais calma agora.
- Peguei o celular e disquei para a polícia, foi quando vi a faca ao lado dela, e a marca em sua barriga. Corri para pegar um pano e fiquei segurando contra o ferimento. O resto você já deve saber.
 - Certo, certo. Fale mais sobre a suposta ligação. – A dúvida na voz dele me irritava.
- Me ligaram dizendo que Megan corria perigo, a voz era masculina e estava nitidamente transtornada.
- Tem ideia de quem seja? – Ele disse.
- Não. Quando vou poder ir embora? Quando vou poder ver Meggy?
- Rebecca, você está sob investigação, seria bom que não se aproximasse da sua amiga. Ela está se recuperando, como havia lhe falado. Quero que vá para casa agora e evite sair da cidade. Obrigada.
- Vocês acham que eu fiz isso? – Eu disse assustada.
- Nenhuma hipótese deve ser descartada, ainda temos que pegar o depoimento da Megan, mas isso somente quando ela acordar.
Sai da sala de interrogatório exausta e encontrei meus pais na sala de recepção. Abracei minha mãe e nós duas chorávamos muito.
- Vai ficar tudo bem, querida. Vamos para casa! – Minha mãe disse com voz doce limpando minhas lágrimas.
Fomos para casa e eu ainda precisava de respostas. Ainda não acreditava no que havia acontecido e faria de tudo para descobrir.