Cheguei a conclusão de que pouco sabia sobre James. Quem eram seus amigos? O que ele gostava de comer? Quem era o seu cantor preferido? Nas vezes que conversamos descobri muito pouco, e nosso relacionamento foi tão doido que não deu pra descobrir todos esses mínimos detalhes que você supostamente deve saber sobre seu namorado. Aliás, nunca nos definimos como namorados, ou peguetes, ou ficantes, ou amigos coloridos. Nada. Sempre deixamos tudo rolar numa boa, mas isso talvez já tivesse passado dos limites.
Começo a manhã de segunda-feira pensando em qual ligação poderia haver entre James e toda essa loucura em minha vida, decido que não existe nenhuma. Faz tudo parte da minha imaginação. Eu não sei até onde o que eu vivo é real, e penso que poderia estar sonhando. Realmente Megan teria sido agredida? Eu teria encontrado um homem ontem a noite que me disse coisas que só de pensar me davam náuseas? Até onde tudo era real?
Limpei o rosto com água corrente e limpei todos esses pensamentos junto. Ir a escola traria um pouco de normalidade a minha vida. E era isso que eu queria agora, minha vida de volta. Pensei que a melhor saída era fazer tudo voltar ao normal, nem que pra isso eu precisasse dar um gelo em James por um tempo.
Tomei um copo de refrigerante e comi um pedaço de bolo, me arrumei como sempre fiz e fui para frente de casa esperar a carona. Lembrei que eu não tinha carona pois havia brigado com Meggy, e tudo voltou a realidade novamente. Chamei minha mãe e ela me levou.
Cheguei a escola e todos olhavam para mim como se eu tivesse lepra ou tivesse com uma roupa dos anos 50. Era tudo real. Real. Esses pensamentos não saiam da minha cabeça. Fui direto para sala de aula, vi Joseph e Chloe sentados juntos conversando, quando entrei Joe me olhou e virou o rosto. Sentei na última cadeira afim de não ser notada por ninguém, mas não funcionou.
Richard chegou logo depois de mim e colocou a mochila do lado da minha classe.
- Oi. - Ele disse e deu um sorriso. Eu apenas retribuí o sorriso e comecei a mexer no celular. Havia inúmeras notificações e algumas não eram assim tão boas. Pessoas publicaram mensagens de ódio na minha linha do tempo e eu comecei a perceber que realmente achavam que eu havia tentado matar Meggy.
- Como você está? Fiquei sabendo do que ocorreu. - Richard disse com voz de pena.
- Como acha que estou? Se você está insinuando que eu fiz aquilo com ela, pode parar. - Eu disse sem paciência.
- Não acho que foi você, Becky. Não tem jeito de quem faria isso. Deve estar sendo difícil para você... - Rick terminou a frase com um tom de voz baixo.
- Sim. - Eu realmente não queria conversar sobre meus enormes problemas com um estranho.
- Você pode confiar em mim.
- Olha só, não tenho porque confiar em ninguém nesse mundo, ok? Ninguém se importa - Minha voz soou mais cansada do que brava.
- Eu me importo. Lembra quando sentei ao seu lado? Você estava assim também, e terminamos amigos, por que está tão fechada hoje? - Que menino insistente, pensei.
- Porque está tudo dando errado. Você quer que eu confie em todo mundo que aparece? Está tudo desmoronando, Richard. - Disse essas palavras sem ao menos refletir sobre.
- Você quer sair hoje? Comer alguma coisa? Beber, quem sabe?
- Não quero sair. - Pensei na ideia. - Vá para minha casa a noite, digo que faremos trabalho para escola. Leve bebida, muita bebida.
- Combinado. - Ele abriu um sorriso.
Logo depois a professora chegou e as aulas correram normalmente. Fora o fato de que eu não pude fazer muita coisa na escola já que em todos lugares que eu ia havia pessoas cochichando e me olhando.