Sinceramente, há momentos em que eu penso que nasci com alguns neurônios a menos. Esse momento era um deles. Convidei um estranho para beber comigo na minha casa. Richard chegou as oito. Eu havia colocado um short e uma blusinha, arrumado um pouco o cabelo e calçado chinelos. Ele chegou com uma blusa verde, uma calça bege e um tênis azul. Estava extremamente bonito, e eu percebi que nunca havia reparado o quão atraente era. Subimos direto pro quarto. Ele abriu a mochila e mostrou: 1 vodka, 1 tequila, 2 limões, sal.
- Você caprichou, ein. - Eu sorri, meu humor já estava melhor.
- Acho que é suficiente. - Richard riu.
Começamos com a vodka, busquei dois copos e já havia bebido metade. O mundo já começava a girar e eu estava achando tudo muito engraçado. Richard contava umas histórias de quando era criança, às vezes umas histórias de terror.
- Você já namorou? - Perguntei.
- Já. Só problema, a menina me largou quando eu repeti de ano. - Richard ria. - E você?
- Não. Só problema.
- É bom, sempre alguém para transar. - Ele riu. No mesmo instante eu corei, nunca gosto quando falam sobre sexo, nunca sei como agir. Apenas assenti com a cabeça e dei um sorriso amarelo. Richard percebeu.
- Nunca transou? - Ele perguntou. O álcool já fazia efeito, e eu me abri com ele.
- Não. Quando minhas amigas começaram a transar eu estava ainda beijando alguns caras diferentes, achei que deveria esperar o cara certo. Não apareceu. Acho que é uma grande bobagem, afinal. No fim das contas vai ser só mais um. - Disse e bebi meio copo, fiz careta e sorri.
- Mas é o primeiro, deve ser especial. Se o cara gosta de você ele vai se esforçar para que dê certo, acho que é por isso. - Ricky coçou a cabeça e eu quis o abraçar.
- Eu não sei, está tudo fodido. - Soltei uma risada que era mais histérica do que engraçada. - Eu não tentei matar a Meggy, você sabe disso, não sabe? Quer dizer, algumas vezes eu tive vontade. Quando ela ficou com o Matty, o menino que eu fui apaixonada desde o 5º ano, mas a vontade passou depois que ele foi embora da escola. Quando ela disse que eu era ridícula por ser virgem, durante uma briga, eu quis matá-la por uma semana. Mas eu nunca faria isso, nunca. Entende? Agora as pessoas me olham e acham que eu fiz isso, idiotas. - Desabafei.
- Entendo. - Nesse momento Richard se aproximou e pegou minha mão. Meu corpo estremeceu. - Como ela está?
- Bem, eu acho. Ouvi falar que ela melhorou, mas ninguém dá muitas informações para a suposta assassina. - Sorri e bebi mais um gole.
Ricky só assentiu com a cabeça e se aproximou de mim. Colocou uma mão no meu rosto, e fez carinho. Me senti nas nuvens e queria que aquele momento nunca acabasse. Esqueci de tudo, absolutamente. Ricky se aproximou e me beijou, de forma delicada e meiga. O álcool ajudou e quando vi já estávamos deitados em minha cama no maior amasso.