Peguei meu celular e o liguei. James havia deixado algumas mensagens. Me bateu um arrependimento por ter o traído. Mesmo que não tivéssemos nada sério, não sabia até que ponto éramos fiéis um ao outro. Comecei a sentir uma forte dor de cabeça e lembrei da bebida. Pensei em Richard, como ele saiu de minha casa? Será que foi a escola? Qualquer coisa que exigia pensar piorava minha dor de cabeça, e deitei novamente.
Ouvi a porta do quarto bater e disse para que entrasse. Era minha mãe:
- Aquele era o menino com quem você anda saindo? Você faltou a escola hoje... Tenho notícias de Megan, querida. - Minha mãe falou tanta coisa que não consegui colocar as ideias no lugar.
- Como está Meggy?
- Ela está bem, disse hoje a polícia que não foi você que tentou matá-la. Isso é bom, amor. Está se sentindo bem?
- Sim. - Fora a náusea, a dor de cabeça e a dor nos quadris. - Estou bem.
Minha mãe saiu e eu respondi James.
"Ola."
Ele respondeu quase que instantaneamente.
"Oi, gatinha."
"James, nós somos o que?" Impulso. Sempre agindo por impulso, pensei.
"Como assim?" Não entendi a dúvida, a pergunta foi bem clara.
"Namorados, ficantes, peguetes, amigos, amizade colorida?" Escrevi e quase gritei quando enviei.
"Nunca conversamos sobre isso, mas considero você minha namorada."
"Precisamos conversar." Eu enviei.
E lá vamos nós para uma D.R. Só de pensar em contar a James da traição meu corpo gelava. Porém decidi que a verdade sempre arruma uma forma de aparecer. Combinamos de nos encontrar novamente na rua atrás da minha casa, porém dessa vez a tarde.
Entrei no carro de James e ele sorriu. Um sorriso sincero que me fez querer chorar. Ele me deu um beijo e foi dirigindo. Fomos até quase a saída da cidade, no lugar onde tínhamos visão de toda ela. Comecei a pensar no quanto somos pequenos perto da imensidão das coisas, do universo. Essa é só mais uma cidade, dentro de tantas. Eu sou só uma pessoa, dentro de tantas. E mesmo assim parece que tudo de ruim acontece comigo. James parou o carro e descemos, sentamos na grama um de frente pro outro, e ele começou:
- O que quer conversar?
- Primeiro eu quero saber mais sobre você. Sabemos muito pouco um sobre o outro, e se queremos realmente ter algo sério, acho que deveríamos nos conhecer melhor. - Falei cheia de certezas.
- Está certa. Não sei o que quer saber exatamente. Você sabe uma das coisas mais importantes sobre mim, sobre meus pais, não conto isso a ninguém. - James soou triste.
- Eu sei. - Segurei a mão dele. - Quem são seus amigos?
- O pessoal da Fashion's. Não tenho muitos aqui.
De repente comecei a pensar que eu não queria descobrir nada. Não agora. O legal de estar com alguém é ir conhecendo ela aos poucos. Abracei James e comecei a chorar.
- O que foi? - A voz dele me confortava.
- Precisamos terminar. - Eu disse por impulso.